Família Nymphaeaceae
As Nymphaeaceas,
ou nenúfares, pertencem a uma das linhagens de angiospermas mais antigas cujo registro
fóssil data do Médio Cretáceo (JUDD et al., 2009). Essa família de plantas
aquáticas que juntamente com Cabombaceae e Hydatellaceae formam a Ordem
Nymphaeale, um clado de angiospermas existentes na atualidade mais basal depois de
Amborella (PERIS, 2020), sendo ambos grupos irmãos. A flor fóssil mais antiga
de Nymphaeaceae foi encontrada preservada em carvão vegetal no Vale de Agua em
Portugal (FRIIS et al. 2009).


Nuphar lutea. Crédito: Pixabay
Elas são amplamente distribuídas em
toda a Terra desde regiões tropicais a temperadas-frias (JUDD et al., 2009),
sendo seu habitat ambientes aquáticos de água doce como rios, lagos, açudes, etc.
Possuem seis gêneros: Nymphaea
Linnaeus, Nuphar J. E. Smith, Barclaya Walich, Euryale R. A. Salisbury, Ondinea
Hartog e Victoria J. Lindley e cerca
de 60 espécies (SOUSA & MATIAS, 2012). No Brasil, Nymphaeaceae ocorrem em
dois gêneros, Nymphaea e Victoria sendo este último representado por apenas uma
espécie, a Victoria Amazonica (LIMA, 2018), também conhecida como Vitória Régia. No Brasil há 19 espécies de Nymphaeaceae
(SOUSA & MATIAS, 2012) estando quase todas dentro do gênero Nymphaea.
São plantas
herbáceas com raízes rizomatosas e flores solitárias e bissexuais tendendo a
serem protogínicas (ENDRESS, 2010), ou seja os órgãos sexuais femininos
amadurecem antes dos masculinos. Possuem de três a numerosos estames com pétalas e sépalas indiferenciadas, com formato petalóide (perianto petaloide). No caule pode ou não haver a
presença de estípulas. As folhas são alternas, espiraladas, opostas ou
ocasionalmente em verticilos; simples, peltadas ou subpeltadas, de margem
inteira, serreada ou partida; curto a longo pecioladas, com a lâmina submersa, flutuante
ou emergente (JUDD et al. 2009). Suas folhas também são longas e pecioladas que podem
ser flutuantes, emersas ou submersas no ambiente aquático (SOUSA & MATIAS,
2012). Uma de suas características mais marcantes são as flores grandes, vistosas e perfumadas que atraem insetos de
tamanho médio a grande, tais como moscas, abelhas e besouros (PERIS, 2000). São termogênicas e por isso favorece a entrada
de insetos enquanto a flor protogínica está aberta para se acasalarem devido à geração
de calor no receptáculo e emissão de aromas favorecendo assim a polinização.
Suas flores possuem grande beleza e uma variedade de cores sendo utilizadas em
jardins e ornamentação de ambientes. Devido a sua semelhança e pelo fato de também
ser uma planta aquática, muitas Nymphaeaceae são confundidas com a flor de Lótus, ou Lótus-Sagrada (Nelumbo nucifera) cultuada em mosteiros budistas e templos hinduístas principalmente em países do oriente como Índia, Tibete, China, Japão dentre outros, mas que na
verdade pertence a família Nelumbonaceae cujas semelhanças são fruto de
convergência evolutiva.
ENDRESS,
Peter K. The evolution of floral biology in basal angiosperms. Phills Trans. R. Soc. B.
365, p. 411-425. 2010.
FRIIS,
Else Marie et al. Monetianthus mirus gen. et sp. nov., a Nymphaealean flower
from the early cretaceous of Portugal. Int.
J. Plant. Sci., 170, p. 1086-1101. 2009.
GRUENSTAEUDL,
Michael. Why the monophyly of Nymphaeaceae currently remains inderteminate: an
assessment based on gene wise plastid phylogenomics. Preprints.
02, v. 1. 2019.
JUDD, Walter S. et al. Sistemática vegetal: um enfoque
filogenético. Trad. André Olmo Simões et al. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed,
2009.
LIMA, C. T. de.
Flora das Cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil: Nymphaeaceae. Rodriguésia. 69 (1), p. 153-156. 2018.
PERIS,
David et al. Generalist pollen-feeding beetles during the mid cretaceous. IScience.
100913, p. 1-23, 2020.
SOUSA, Danilo José de & MATIAS,
Lígia Queiroz. Sinopse do gênero Nymphaea
L. (Nymphaeaceae) no Estado do Ceará. Revista
caatinga. Mossoró, v. 25, nº 3, p. 72-78, jul./set., 2012.


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